Os textos a seguir foram
escrito por Uma escritora e Moradora, Eurídice Alves, nesse trabalho ela conta
sobre a fonte.
A
FONTE! AH, A FONTE!
Os Scarpel, nossos bravos pioneiros, não ficaram alheios aos grandes
mananciais que a humilde vila oferecia. E, com muito zelo, conseguiram
canalizar uma das muitas minas de águas límpidas.
O trabalho constituiu em trazer, para o terreno belo e estratégico, as
águas que brotavam a cerca de cinqüenta metros de distancia. A bica foi
protegida por uma construção caprichosa e muito segura. No restante do terreno,
foi construído um jardim com aproveitamento das árvores já existentes. Uma
delas deixava pender seus ramos floridos sobre um poço que brigava a fonte. Uma
obra de arte!
Nessa agravável recanto, as pessoas aproveitavam a hora de buscar água
para realizar seu ponto-de-encontro. Nos finais de semana, os turistas eram
convidados a visitarem a fonte, principal atração do bairro. O bosque ao redor
proporcionava excelentes acomodações para piqueniques.
Era um costume tradicional das senhoras do bairro, juntarem-se uma
espécie de procissão na noite de 24 de junho, exatamente à meia noite. Cada uma
levava uma garrafa, e iam recolher a “Água de São João”, que servia para lavar
os olhos durante todo o ano.
Mas, porque tudo isso acabou? Mais uma vez, entra em cena o “senhor
Progresso” que fez do “homem civilizado” um elemento predador de sua própria
riqueza. Houvesse na vila apenas silvícolas, aos quais fossem oferecidas tal
fonte, e ainda hoje eles a teriam conservada e límpida.
Eurídice
Alves
O
MAUSOLÉU DA FONTE
Eis aí o “Mausoléu” sob o qual jaz, ainda
viva, nossa principal atração turística dos anos 50. Viva? Sim, a terra
continua generosa e ainda não fez secar a água que fluía abundantemente pela
fonte.
Mas, agora seu destino é engrossar a
corrente de águas poluídas provenientes dos esgotos domésticos. Por sua vez, a
corrente irá poluir aos heróicos riachos, que ainda teimam em circular pelo
bairro, apesar do ingrato papel a que ficaram reduzidos (apenas escoadouros de
excrementos).
Onde havia uma fonte virtuosa, foi
erigida uma fonte de vícios. Coisas do progresso? Ou da ganância?
Cabe salientar que, passadas mais três
décadas, sempre que certos moradores do Jardim Belém se vêem privados da água
fornecida pelo serviço público, ocorrem “filiais” da fonte, isto é, a um dos
poços residências ainda conservados pelos moradores mais antigos e desconfiados
do “progresso”. Não cabe porem, censurar sua oposição, pois não registros de
epidemias de tifo ou coisa parecida que possa contribuir aos longos anos de
consumo destas águas sem cloro. Pelo contrario, o pessoal com mais de 60 anos
de idade se mostra bem mais forte e disposto que nossos debutantes da era
espacial.
E, conforme o adágio popular, “contra
fatos não há argumentos”.
Eurídice
Alves
